Reforma Tributária: o que muda para as pequenas empresas e como se preparar

Reforma Tributária: o que muda para as pequenas empresas e como se preparar

Publicado em 14/09/2026 às 18:48

A Reforma Tributária brasileira está mudando a forma como as empresas calculam, informam e recolhem impostos. Embora a implantação seja gradual e só esteja completamente concluída em 2033, as mudanças já começaram a afetar a rotina das empresas em 2026.



Para o pequeno empresário, o mais importante neste momento não é decorar todas as novas regras, mas entender o que está mudando e quais decisões podem afetar o custo tributário, o preço de venda, o fluxo de caixa e até a escolha do regime tributário da empresa.



Qual é o objetivo da Reforma Tributária?



O principal objetivo da Reforma Tributária é simplificar a cobrança dos impostos sobre o consumo. Atualmente, uma empresa pode lidar com diferentes tributos, regras, sistemas e obrigações dependendo do produto vendido, do serviço prestado e do Estado ou município onde atua.



A proposta é substituir boa parte desse modelo por um sistema mais padronizado, no qual os impostos sobre o consumo tenham regras mais uniformes em todo o país.



A Reforma também busca reduzir o efeito da chamada "tributação em cascata", aumentar a transparência sobre quanto de imposto existe em cada operação e facilitar o aproveitamento de créditos tributários pelas empresas.



Para o empreendedor, porém, existe um ponto importante: simplificação não significa que a adaptação será simples. Durante vários anos, a empresa terá que conviver com o sistema antigo e com o novo ao mesmo tempo.



Quais são os novos impostos?



A Reforma criou três novos tributos:



CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços: será um tributo federal e substituirá principalmente PIS e Cofins.



IBS – Imposto sobre Bens e Serviços: será administrado por Estados e municípios e substituirá principalmente ICMS e ISS.



Imposto Seletivo (IS): terá uma finalidade diferente. Ele será aplicado a determinados produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, buscando desestimular seu consumo.



Assim, o empresário começará a encontrar principalmente as siglas CBS e IBS no dia a dia da empresa.



A substituição dos impostos será gradual



Uma das características mais importantes da Reforma é que os impostos antigos não desaparecem de uma vez.



Em 2026, CBS e IBS estão em uma fase de teste, com alíquotas de referência de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, dentro das regras previstas para o período.



Em 2027 começa uma nova etapa, com a cobrança efetiva da CBS e a extinção do PIS e da Cofins. O IBS continuará em fase inicial de implantação.



Entre 2029 e 2032 ocorrerá a substituição gradual do ICMS e do ISS pelo IBS. A participação do novo imposto aumentará progressivamente enquanto a dos antigos diminui.



Finalmente, em 2033, o novo modelo estará integralmente implantado e ICMS e ISS serão extintos.



Isso significa que o empresário não deve pensar na Reforma como uma mudança que acontece em uma única data. É uma transformação que ocorrerá ao longo de vários anos.



E as alíquotas? O imposto vai aumentar?



Essa é provavelmente uma das maiores dúvidas dos empresários.



Ainda não é possível simplesmente pegar a alíquota atual de um produto ou serviço e compará-la com uma única alíquota definitiva do novo sistema.



Isso acontece porque o novo modelo terá regras diferentes para diversos setores, produtos e serviços. Existem situações de alíquota reduzida, alíquota zero, regimes específicos e outras formas de tratamento.



Além disso, as alíquotas de referência do IBS e da CBS são determinadas dentro de um processo de transição e precisam considerar a arrecadação que o sistema anterior proporcionava.



Por isso, não é correto afirmar que todas as empresas pagarão uma determinada porcentagem única de imposto.



Para o pequeno empresário, a pergunta mais importante não é simplesmente "qual será a alíquota?", mas:



Quanto minha empresa efetivamente pagará considerando meu setor, meus produtos, meus fornecedores, meus créditos e meu regime tributário?



Essa análise poderá produzir resultados muito diferentes entre duas empresas que hoje possuem faturamentos semelhantes.



O que muda nos regimes tributários?



O Simples Nacional continua existindo. A Reforma não acabou com esse regime.



Porém, o funcionamento do Simples passa por adaptações para incorporar IBS e CBS.



Uma novidade especialmente importante é a possibilidade de uma empresa continuar no Simples Nacional e, em determinadas situações, escolher recolher IBS e CBS pelo regime regular, separadamente.



Essa possibilidade pode ser interessante para algumas empresas porque o regime regular permite trabalhar com créditos dos novos tributos de maneira diferente do Simples.



Por outro lado, isso também pode aumentar a complexidade da operação.



Portanto, não existe uma resposta universal dizendo que "o Simples sempre será melhor" ou que "o regime regular será melhor". A escolha dependerá das características de cada negócio.



Como escolher o regime mais adequado?



A escolha do regime tributário deve deixar de ser baseada apenas no faturamento ou no costume da empresa.



O empresário deve pedir ao contador uma simulação considerando pelo menos cinco pontos:



1. Perfil dos clientes: sua empresa vende principalmente para consumidores finais ou para outras empresas?



2. Perfil dos fornecedores: seus fornecedores geram créditos de IBS e CBS que podem ser aproveitados?



3. Margem de lucro: quanto do preço de venda representa efetivamente o custo dos produtos e serviços utilizados pela empresa?



4. Tipo de atividade: comércio, indústria e prestação de serviços podem sofrer impactos diferentes.



5. Possibilidade de aproveitamento de créditos: esse será um dos pontos mais importantes para comparar o Simples com o regime regular.



Uma empresa que vende principalmente para consumidores finais pode chegar a uma conclusão diferente de uma empresa que vende para outras empresas, por exemplo.



Por isso, a decisão deve ser feita com simulações reais da própria empresa, e não apenas com base em uma tabela genérica encontrada na internet.



O papel da contabilidade ficará ainda mais importante



A Reforma também aumenta a importância da contabilidade e dos sistemas utilizados pela empresa.



No modelo antigo, muitas informações tributárias eram tratadas posteriormente pelo contador. No novo sistema, os documentos fiscais passam a ter papel ainda mais importante no cálculo dos impostos.



Isso significa que um erro no cadastro de um produto, serviço, operação ou classificação tributária pode refletir diretamente na apuração.



O empresário deve, portanto, evitar deixar toda a responsabilidade para o final do mês.



É importante que o sistema de gestão, o emissor de notas, o setor financeiro e a contabilidade estejam trabalhando com informações compatíveis.



Para pequenas empresas, isso significa que ter um sistema de gestão atualizado deixará de ser apenas uma questão de organização e poderá se tornar uma necessidade para manter a empresa em conformidade tributária.



O que é o cClassTrib?



Um dos novos termos que o empresário começará a ouvir é cClassTrib, abreviação de Código de Classificação Tributária do IBS e da CBS.



De maneira simples, podemos pensar no cClassTrib como um código que ajuda a informar ao Fisco qual regra tributária deve ser aplicada àquela operação.



Ele está relacionado à classificação tributária informada nos documentos fiscais e trabalha em conjunto com o CST do IBS/CBS.



Na prática, não basta informar corretamente o preço e a descrição do produto ou serviço. O sistema também precisa saber qual é o tratamento tributário daquela operação.



Por isso, o cadastro dos produtos e serviços da empresa precisará ser revisado.



Um produto com tributação normal, outro com redução de alíquota e outro sujeito a uma regra especial não necessariamente terão o mesmo tratamento.



O cClassTrib ajuda a identificar essas diferenças.



Para o empresário, a principal recomendação é: não escolha o cClassTrib apenas pelo nome parecido ou por tentativa e erro. A classificação deve ser definida com orientação contábil/fiscal e cadastrada corretamente no sistema da empresa.



O que é o Split Payment?



Outro conceito novo é o Split Payment, ou pagamento dividido.



Imagine uma venda de R$ 1.000 feita por uma empresa. No modelo tradicional, o cliente paga os R$ 1.000 para a empresa e, posteriormente, a empresa calcula e recolhe seus impostos.



Com o Split Payment, a lógica muda. O sistema de pagamento poderá separar automaticamente a parcela correspondente aos tributos e direcioná-la ao recolhimento, enquanto o restante fica disponível para a empresa.



O objetivo é aumentar a segurança da arrecadação e diminuir situações em que uma empresa recebe o valor do imposto, mas não o recolhe posteriormente.



Para o pequeno empresário, isso merece atenção principalmente por causa do fluxo de caixa.



Se parte do dinheiro da venda for automaticamente destinada aos tributos, a empresa poderá ter menos liberdade para utilizar temporariamente aquele valor para pagar fornecedores, salários ou outras despesas.



A implantação será gradual e as regras operacionais ainda estão sendo desenvolvidas. Por isso, o empresário deve acompanhar a evolução do sistema em vez de tratar o Split Payment como algo que passará a funcionar de maneira igual para todas as vendas imediatamente.



Notas de débito e notas de crédito



A Reforma também traz mudanças na maneira de registrar determinados ajustes depois da emissão de uma nota fiscal.



Entram nesse cenário as chamadas Notas de Débito e Notas de Crédito.



De forma simplificada, a Nota de Débito é utilizada quando uma situação posterior gera um aumento do valor que deve ser considerado na tributação.



Já a Nota de Crédito pode ser utilizada quando ocorre uma situação que reduz determinado valor ou gera um crédito relacionado à operação.



Por exemplo, determinadas situações envolvendo complementação de valores, multas, juros, devoluções ou outros ajustes podem exigir um documento fiscal específico para que o impacto no IBS e na CBS seja registrado corretamente.



A grande mudança para o empresário é que esses ajustes passam a ter uma importância muito maior dentro do controle fiscal.



Não será suficiente simplesmente fazer uma alteração manual no sistema financeiro. O ajuste precisa estar corretamente documentado para que seja considerado na apuração dos novos tributos.



O que o pequeno empresário deve fazer agora?



A Reforma Tributária ainda está em implantação, mas esperar até 2033 para começar a se preparar pode ser um erro.



O primeiro passo é conversar com o contador e entender como a empresa será afetada.



Depois, vale revisar o cadastro de produtos e serviços, verificar se o sistema de gestão está preparado para IBS, CBS, CST e cClassTrib e acompanhar as mudanças na emissão de documentos fiscais.



Também é importante começar a analisar os preços de venda. Uma mudança na forma de geração e aproveitamento de créditos pode alterar o custo tributário de determinados produtos e serviços.



Por fim, o empresário deve pedir simulações comparando os regimes tributários, principalmente quando houver possibilidade de escolher entre permanecer com IBS e CBS dentro do Simples ou recolhê-los pelo regime regular.



Conclusão



A Reforma Tributária representa uma das maiores mudanças no sistema de impostos brasileiro das últimas décadas.



Para o pequeno empresário, ela não deve ser vista apenas como uma troca de nomes de impostos. A mudança envolve a maneira como a empresa compra, vende, emite notas, controla seus produtos, calcula impostos e administra o dinheiro recebido.



O período de transição será longo e exigirá adaptação.



A melhor estratégia é não esperar a mudança acontecer para depois reagir. Empresas que mantiverem seus cadastros organizados, sistemas atualizados e uma boa comunicação com a contabilidade terão melhores condições de comparar regimes, ajustar preços e evitar problemas fiscais.



Mais do que simplesmente pagar impostos, a Reforma fará com que informação correta e organização tributária se tornem cada vez mais importantes para a gestão de pequenas empresas.



Um bom ERP sera um aliado importante



Diante de tantas mudanças, contar com um software ERP preparado para a Reforma Tributária será cada vez mais importante para as pequenas empresas. Um bom sistema de gestão deve acompanhar as novas regras, manter o cadastro de produtos e serviços organizado, auxiliar na correta classificação tributária, calcular os impostos e emitir as notas fiscais com as informações exigidas, reduzindo o risco de erros e retrabalho. Mais do que simplesmente emitir uma NF, o ERP passa a ser uma ferramenta importante para ajudar o empresário a administrar sua empresa de forma mais segura e eficiente durante todo o período de transição. Escolher um sistema que acompanhe a evolução da legislação e receba atualizações tributárias de forma contínua pode fazer uma grande diferença para quem quer estar preparado para a nova realidade fiscal.

Solicite um usuário de testes ou clique aqui para saber mais sobre o Fácil ERP.



Envie-nos uma mensagem via WhatsApp Curta nossa Fan Page no Facebook Siga-nos no Instagram